Métodos de estudo · 5 min de leitura
Flashcards para concurso: como transformar o grifo no PDF em revisão que volta sozinha
Marcar o que importa é a parte fácil. O difícil é lembrar de voltar ali na data em que voltar ainda adianta, e essa hora sempre cai no fim do dia.
Mestre_Kafeíno · Mestre no MestreKronos
Você abre o PDF da matéria, lê com atenção e vai marcando o que importa. No fim do assunto existe um arquivo cheio de amarelo, pronto para a revisão.
Ele espera a semana inteira. Depois espera o mês. Quando você finalmente abre, já não lembra por que grifou aquilo.
▸ O problema não é o grifo
Marcar o que importa é a parte fácil, e você já fez isso bem. Separar o essencial do acessório é trabalho legítimo de estudo, e quem grifa está prestando atenção.
O que falha é a volta. Revisar o material exige que você lembre de voltar nele, na data em que voltar ainda adianta. Essa decisão cai sempre no fim do dia, competindo com o cansaço, e o cansaço ganha quase sempre.
Nenhuma técnica de marcação resolve isso, porque o problema não está no que você marcou. Está em não existir ninguém encarregado de te trazer de volta.
▸ O que muda quando o trecho vira pergunta
Um cartão de memorização é simples: pergunta de um lado, resposta do outro, e quem escreve os dois é você. Em vez de marcar o trecho para depois, você escreve uma pergunta sobre ele.
A diferença aparece na hora de revisar. Diante do trecho grifado, você lê e reconhece: "sim, é isso mesmo". Diante da pergunta, a resposta não está na tela, e você precisa tirar da cabeça primeiro.
Isso é o que se chama de estudo ativo: o material cobra uma resposta em vez de apenas mostrar de novo o que já estava escrito. E o ganho é prático, não filosófico. Quando você não consegue responder, descobre o buraco enquanto ainda dá tempo de tapar, em vez de descobrir na hora da prova.
▸ Como funciona na prática
No MestreKronos os cartões se chamam Flash MKards, e ficam guardados em baralhos. Um baralho é só um conjunto de cartões da mesma matéria.
Na hora de estudar, aparece a pergunta. Você tenta responder, vira o cartão, confere, e escolhe entre quatro botões, conforme o trabalho que deu para lembrar: Novamente, Difícil, Bom ou Fácil.
É a única coisa que você faz. Cada botão já mostra quando aquele cartão vai voltar: um dia, três meses, um ano. Você não monta agenda de revisão, não configura intervalo e não reorganiza lista nenhuma no domingo.
▸ Quem decide a data
A conta é refeita a cada resposta, cartão por cartão. O que você errou volta logo; o que saiu fácil some por meses e reaparece pouco antes de você esquecer.
Esse cálculo tem nome: FSRS, sigla de Free Spaced Repetition Scheduler, um algoritmo aberto de repetição espaçada. Você não precisa entender nada dele para usar, e os prazos que aparecem nos botões não são uma tabela fixa: são a conta do momento para aquele cartão específico, com base no seu histórico com ele.
▸ São duas revisões, não uma
Aqui vale separar duas coisas que costumam ser confundidas, porque o MestreKronos usa as duas e elas trabalham em escalas diferentes.
O cronograma cuida do assunto. Cada matéria do seu plano ganha sessões de revisão nos prazos que você definiu, sete dias, trinta, o que fizer sentido para você. Isso faz o assunto inteiro voltar, com o material completo na mão.
Os Flash MKards cuidam do detalhe, num grão bem menor. É o que faz aquele ponto específico que você erra sempre aparecer mais vezes que o resto do conteúdo.
Uma régua não substitui a outra. A revisão do cronograma garante que a matéria volte; o cartão garante que o item que escapa volte com mais frequência.
▸ Se você já usa Anki
Para quem já estuda por flashcards, nada acima é novidade: a mecânica dos quatro botões e o cálculo por cartão são os mesmos.
O incômodo que costuma aparecer é outro. O baralho é um arquivo solto, que não faz ideia de qual assunto você está estudando nesta semana, e a revisão acontece num aplicativo que não conversa com o seu planejamento.
No MestreKronos o baralho nasce dentro do plano, preso à matéria que você está estudando. Um lugar só, em vez de dois aplicativos abertos para a mesma coisa. Se você já tem baralhos prontos, dá para trazer tudo de uma vez, e essa parte é do plano pago.
▸ Onde isso não resolve
Vale dizer o que o cartão não faz, porque nem tudo é candidato.
Cartão serve para o que é recuperável de memória: uma definição, um prazo, um requisito, a redação de um artigo. Não serve para substituir o entendimento de um instituto inteiro, nem para aprender pela primeira vez. Quem tenta montar cartão de um assunto que ainda não estudou acaba decorando frase solta.
E o trabalho inicial é seu. Escrever a pergunta leva alguns segundos, mas leva. A conta fecha porque esse é o único esforço que o sistema pede: o resto, decidir o que volta e quando, deixa de ser problema seu.
▸ Quanto custa
Criar os seus cartões, montar os baralhos e ter o FSRS decidindo o que volta quando: sem pagar nada. O plano gratuito não pede cartão de crédito e tem anúncio em alguns pontos.
No gratuito você cria cartões no formato pergunta e resposta, com um teto de três mil cartões por conta. Trazer baralhos prontos de outro aplicativo, usar formatos avançados como lacuna e múltipla escolha e inserir imagens nos cartões são recursos do plano pago.
O MestreKronos é um gerenciador de estudos para concurso, OAB e ENEM: monta o cronograma do primeiro dia até a prova, marca as revisões e as questões, e refaz a conta quando a sua semana muda.
▸ Em resumo
Grifar não é o erro. O erro é o grifo não ter data para voltar.
Transformar o trecho numa pergunta resolve as duas coisas de uma vez: cobra uma resposta de você em vez de mostrar o texto de novo, e entrega a decisão de quando revisar para um cálculo que não depende de você lembrar no fim do dia.