Métodos de estudo · 5 min de leitura
Quando a revisão entra no cronograma: por que 24 horas depois é cedo demais
A regra clássica conta os dias a partir do dia em que você começou o assunto. Se ele leva quatro sessões, a revisão chega no meio do caminho.
Mestre_Kafeíno · Mestre no MestreKronos
Você abre o cronograma e a revisão de Licitações está marcada para amanhã. Só que você começou Licitações ontem, e ainda faltam três sessões de teoria pela frente.
Amanhã você não vai revisar Licitações. Vai reler as quatro páginas que deu tempo de ver.
▸ De onde vem a regra das 24 horas
Quase todo cursinho ensina a mesma sequência: revise 24 horas depois, 7 dias depois, 30 dias depois. A contagem começa no dia em que você viu a matéria pela primeira vez.
A ideia por trás dela é sólida — espaçar as revisões rende mais do que amontoá-las. O problema não é o espaçamento. É de onde a contagem parte.
▸ Assunto grande não cabe numa sessão
Licitações, controle de constitucionalidade, crase, regime jurídico dos servidores. Um assunto desses tem dezenas de páginas: são três, quatro, às vezes seis sessões até você atravessar a teoria inteira.
Se a revisão foi marcada para 24 horas depois da primeira sessão, ela cai quando você conhece um quarto do assunto. Você abre o material para revisar e encontra conteúdo que ainda nem leu.
O resultado é que a sessão de revisão vira uma sessão de leitura disfarçada — e o espaçamento que deveria fixar o conteúdo não fixa nada, porque não havia conteúdo aprendido para fixar.
▸ O que muda quando a contagem começa no fim
No MestreKronos a conta parte de outro ponto: a revisão e as questões de um assunto só entram no cronograma depois que a teoria daquele assunto termina.
Na prática, funciona assim. Digamos que Licitações tenha 120 páginas e que, no seu ritmo de leitura, isso dê umas 6 horas de teoria. O cronograma espalha essas 6 horas pelos seus dias disponíveis, e a última sessão de teoria cai, por exemplo, em 20 de setembro.
É essa data que ancora tudo o que vem depois:
21/09 — questões, 1 dia depois
27/09 — revisão, 7 dias depois
05/10 — questões, 15 dias depois
20/10 — revisão, 30 dias depois
Repare em duas coisas. A primeira: todos os prazos são contados a partir da mesma data, a do fim da teoria — não são encadeados um a partir do outro. A segunda: as sessões de questões seguem a mesma lógica, com prazos próprios, separados dos da revisão.
▸ Os prazos são seus
Aqueles 7 e 30 dias não são uma regra nossa. Eles vêm do plano de estudos que você escolheu, e você muda todos.
Matéria que você tem pavor de esquecer pode voltar em 3 dias. A que já está firme, em 60. E isso é definido assunto por assunto, dentro da mesma matéria — porque dentro de Direito Administrativo há coisas que grudam de primeira e coisas que escorregam sempre.
As questões têm a própria lista de prazos. Dá para revisar em 7 e 30 e resolver questões em 1 e 15, no mesmo assunto.
▸ E quando você sai do previsto
O cronograma é uma previsão, e previsão erra. Duas coisas acontecem com frequência.
Você termina antes. Fecha Licitações uma semana mais cedo do que o plano supunha. Ao marcar o assunto como concluído, as sessões de teoria que sobraram saem do calendário, o tempo delas volta para ser redistribuído, e as revisões e as questões são remarcadas a partir da nova data.
Ou você precisa de mais tempo. Aí você manda refazer o cronograma, e tudo desliza junto.
Se precisar parar de vez por alguns dias, marque uma pausa. A contagem dos intervalos para junto com você, em vez de correr enquanto você está fora e engolir as revisões.
▸ O que não se perde no caminho
Muita gente evita mexer no cronograma com medo de perder o que já fez. Aqui não acontece.
Refazer o cronograma mexe só no que ainda está pela frente. Sessão concluída fica exatamente onde está — o histórico do que você estudou é intocável.
E antes de refazer qualquer coisa, o sistema guarda uma cópia do cronograma anterior. Se o resultado não agradar, dá para restaurar.
▸ Quando isso não faz diferença
Vale dizer onde o mecanismo não muda nada.
Se o assunto é pequeno e cabe numa sessão só, o fim da teoria é o mesmo dia do começo — e aí a regra clássica e a nossa dão exatamente a mesma data.
Se você não marca as sessões como concluídas, o sistema não tem como saber que a teoria acabou. A contagem depende desse registro; sem ele, o cronograma segue trabalhando com a previsão, não com o que aconteceu de verdade.
E se você estuda sem cronograma nenhum, escolhendo o assunto do dia na hora, nada disso se aplica — o que não é um julgamento, é só o limite de uma ferramenta de planejamento.
▸ Em resumo
O espaçamento entre revisões é uma das poucas coisas que a pesquisa sobre aprendizagem sustenta com firmeza. O que costuma estar errado não é o intervalo: é o ponto de onde ele é contado.
Contar do dia em que você abriu o assunto pela primeira vez faz sentido quando o conteúdo é pequeno. Para um assunto de concurso, que leva vários dias para ser atravessado, a conta tem de começar no fim da teoria — senão você revisa o que ainda não aprendeu.
O MestreKronos é um gerenciador de estudos para concurso, OAB e ENEM: monta o cronograma do primeiro dia até a prova, marca as revisões e as questões nos prazos que você escolheu e refaz a conta quando a sua semana muda. O plano gratuito não pede cartão e tem anúncio em alguns pontos — quem prefere sem eles assina o Kronin.